Recordo-me fugazmente, de uma vez, quando era miúdo, ir a passear pela rua nestes primeiros dias do ano, de mãos dadas com os meus pais e a minha perspicácia levar-me a reparar que algumas lojas estavam fechadas e tinham tinham inscrito num letreiro algo como “fechado para balanço”.
Na altura não percebi o que significava, ao fim de contas era dia de semana, estavamos num novo ano que todos esperavam com ansiedade e expectativa, e a avaliar pelos festejos dos dias anteriores, as pessoas deviam estar contentes e a trabalhar… Não sabia o que era um “balanço”.
Acabaram agora 48h que o novo ano começou, as mesmas que fizeram o anterior chegar ao fim.
Este foi para mim o tempo, de quando me lembrei desse episódio da minha infância, voltar a repeti-lo. Dar as mãos aos meus pais e a quem caminhou comigo ao longo do ano, e deixar-me passear pelo passeio. Olhar apenas para as montras das lojas. Afinal, pouco mudou e tantos anos depois continuam a estar fechadas nestes dias… Recordar-me em quais entrei, o que procurei nelas, o que trouxe comigo, o que me proporcionaram, o que lá deixei. Na caminhada recordei também quem entrou comigo em cada uma delas. Quem me acompanhou mesmo quando procurava algo no local mais recôndito ou algo que acreditava existir mas loja após logo recebia “não’s” consecutivos. Quem mesmo perante o desânimo acreditou comigo. E quem se deu por vencido, simplesmente pelo cansaço ou porque duvidou de mim. Guardo todos comigo.
Fazer um “balanço” é muito importante. Não é “fechar” como as lojas, mas “abrir” e partir à descoberta. Não é perder tempo, é não perder tempo! É empreender tempo a ganhar tempo! É não voltar a usa-lo de forma menos correcta.
Hoje percebo a importância desses letreiros. Assim como as lojas precisam de fazer um balanço contabilistico, também no nosso coração há um balanço a fazer.
E percebo também todos os festejos, manifestações de alegria, fogos de artificio, festas, saídas à noite, que acontecem nestes dias.
Porque como Saint Exupery dizia, é importante criar ritos. É o rito que faz com que um dia seja diferente de outros dias, uma hora, das outras.
E é isso que nos faz estar predispostos a esse balanço. A receber um dia igual, um mês igual, um ano igual mas como se nos fossem revelados pela primeira vez.
2013 foi para mim um ano cheio.
Cheio de momentos, de experiências novas, de conquistas. De muitos ensinamento.
Também de momentos de tristeza, que foram uma prova, para me preparar e estar mais inteiro na alegria.
Cada momento menos positivo, cada dificuldade foi para mim um desafio à espera de ser superado.
E cada derrota foi como um passo atrás, para parar, tomar balanço e dar dois à frente rumo a um novo sucesso.
Foi um ano de pessoas maravilhosas, que entraram pela primeira vez na minha vida, ou que já caminhavam ao meu lado mas passaram a ter um significado renovado.
A todas essas pessoas, obrigado por fazerem parte da minha vida!
Obrigado por me “darem na cabeça” mesmo quando estava a precisar.
Obrigado pelas palavras doces.
Obrigado pelas partilhas de coisas interessantes e por acrescentarem mais cor na minha vida.
A 2013, obrigado.
Agora, que venha 2014! Um ano novinho, como um livro à espera de ser escrito, onde posso escrever a minha própria história!
